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Mãe descreve filho morto por PMs como ‘carinhoso, sorridente e feliz’ em depoimento

A mãe de Thiago Menezes, Priscila Menezes, descreveu o filho de 16 anos, morto por policiais militares em uma operação na Cidade de Deus, Rio de Janeiro, como um jovem “educado, carinhoso, sorridente e feliz”. Em depoimento emocionado, Priscila relembrou que Thiago “não dava trabalho, gostava de ir para a escola, se arrumava sozinho e gostava de jogar futebol”. O adolescente era descrito por colegas como alegre, companheiro e vaidoso.

Thiago frequentava duas escolinhas na comunidade e mantinha alta frequência escolar, com mais de 91% de presença, apesar de notas baixas em português e matemática. Fotos exibidas durante o depoimento mostravam o jovem com amigos, em treinos de futebol, com a família e recebendo um prêmio escolar pelo “caderno mais organizado”.

Acusações contra policiais

Os policiais envolvidos na ação respondem pelo homicídio de Thiago e pela tentativa de homicídio de Marcus Vinícius, que pilotava a moto e foi atingido na mão. As investigações apontam que os jovens não estavam armados e não houve confronto no momento do crime, que ocorreu durante uma operação policial descaracterizada. Os agentes também são acusados de fraude processual por supostamente terem plantado uma arma na cena do crime e alterado depoimentos.

O Ministério Público considera que os policiais agiram com “torpeza em uma operação de tocaia ilegal, com arma de alta energia”. O sobrevivente da ação, Marcus Vinícius, confirmou em seu depoimento que nunca viu Thiago armado.

Suspeitas sobre imagens da defesa

Durante o depoimento, Priscila Menezes demonstrou desconfiança em relação a imagens exibidas pela defesa dos policiais, encontradas no celular da vítima. Fotos de armas e de adolescentes encapuzados foram apresentadas, mas a mãe contestou a identidade de seu filho em algumas delas, afirmando que o corpo parecia “muito forte” para ser de Thiago. Ela também apontou que uma mão com tatuagem de coração em uma foto segurando uma arma não pertencia ao seu filho, que não tinha tatuagens. Uma imagem em que Thiago aparece com um objeto que poderia ser uma arma foi questionada, com a mãe sugerindo que poderia ser um objeto para caçar ratos.

O pai de Thiago, Diogo Flausino, expressou a expectativa por condenação dos policiais. “Esperamos Justiça. Eles têm que pagar”, disse, em frente ao tribunal, onde familiares e amigos realizaram um ato contra a violência policial. Dez testemunhas, cinco de defesa e cinco de acusação, foram convocadas para o julgamento, que foi adiado de janeiro para esta terça-feira.

Com informações da Agência Brasil

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