
O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói para o Carnaval de 2024, que celebra a vida e a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, tem como fio condutor a figura de sua mãe, Dona Lindu. A obra, assinada por um time de compositores renomados, como Teresa Cristina, André Diniz e Arlindinho Cruz, busca imortalizar a história de superação e ascensão social do presidente, desde suas origens humildes no agreste pernambucano até a presidência da República.
Dona Lindu, a força motriz do samba
Teresa Cristina, cantora e compositora, revelou em entrevista à Agência Brasil que a motivação para a criação do samba partiu da figura materna. “Ela fez isso por amor, né? Ela veio atrás do pai [das crianças]”, explicou, referindo-se à travessia de Dona Lindu em busca de melhores condições de vida. O samba, segundo ela, “é sobre o Brasil. É sobre um Silva. É sobre sobreviventes”.
Ao ser informado sobre o enredo, Lula se emocionou profundamente. “Quando a gente falou para ele: ‘olha, o samba é uma história sendo contada pela sua mãe’, o olho dele na hora deu aquela marejada”, contou Teresa Cristina. O presidente, ao ouvir a canção, “chorou copiosamente” e relembrou sua mãe e seu pai, demonstrando felicidade por ter sua história imortalizada em um samba-enredo.
Do agreste à presidência: uma jornada de luta
O mulungu, árvore citada no título do samba, simboliza a infância de Lula e seus irmãos no agreste, um local de brincadeiras e memórias. O enredo destaca a jornada do menino do sertão pernambucano que se tornou operário, líder sindical, político e, finalmente, presidente da República. O presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, ressalta a importância de respeitar a história de quem “saiu lá do interior de Pernambuco, foi para São Paulo e hoje ocupa a maior cadeira desse país”.
Além da trajetória pessoal de Lula, o samba-enredo aborda a melhoria das condições de vida da população durante seus mandatos, com ênfase no combate à fome e na ampliação do acesso à educação. Referências a figuras históricas como Rubens Paiva, Zuzu Angel, Wladimir Herzog, Betinho e Henfil também compõem a narrativa, evocando lutas e conquistas sociais.
Homenagens e referências artísticas
Uma referência sutil, mas significativa, no refrão do samba remete à canção “Vai passar” de Chico Buarque. “Eu queria que as pessoas lembrassem tanto do samba Vai passar, como se lembrassem do Chico Buarque”, admitiu Teresa Cristina, destacando a coragem e o posicionamento do artista em defesa do Brasil.
Não é a primeira vez que Lula é homenageado por escolas de samba. Em 2012, a Gaviões da Fiel apresentou o enredo “Verás que um filho teu não foge à luta – Lula, o retrato de uma nação”. Outros presidentes, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, também já foram tema de enredos de agremiações cariocas.
Financiamento do desfile
A Acadêmicos de Niterói informou que o desfile não será financiado pela Lei Rouanet, apesar de ter havido autorização inicial para captação de recursos. A escola desistiu do processo devido ao prazo exíguo. No entanto, o carnaval do Rio de Janeiro contará com um repasse de R$ 1 milhão para cada agremiação do grupo especial, fruto de um termo de cooperação entre a Embratur e a Liesa, com interveniência do Ministério da Cultura.
Com informações da Agência Brasil







