
A recente liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) tem gerado um aumento nas notícias e rumores sobre a saúde de bancos. Para consumidores e investidores, é crucial saber diferenciar alertas reais de desinformação para proteger o patrimônio e tomar decisões financeiras seguras. Felizmente, existem ferramentas oficiais, indicadores públicos e sinais objetivos que permitem avaliar a situação de um banco em funcionamento no Brasil.
Consulte a autorização do Banco Central
O primeiro passo para verificar a legitimidade de uma instituição financeira é consultar se ela é autorizada a operar pelo Banco Central. Essa informação pode ser facilmente encontrada no site oficial do BC.
Utilize bases oficiais de dados
O Banco Central disponibiliza três tipos de plataformas com informações confiáveis sobre as instituições financeiras:
- Sistema de Informações sobre Entidades de Interesse do Banco Central (Unicamp): Permite o acesso a dados cadastrais e informações regulatórias.
- Sistema de Divulgação de Informações de Instituições Financeiras (Sidiaf): Disponibiliza balancetes, demonstrativos financeiros e outros relatórios contábeis.
- Sistema de Informações de Movimentação Bancária (Simba): Oferece dados sobre transações e movimentações financeiras.
Esses sistemas são essenciais para analisar balanços, resultados e indicadores de risco das instituições.
Avalie os principais indicadores de solidez
Índice de Basileia: Este indicador mede a relação entre o capital próprio do banco e os riscos assumidos em suas operações. O mínimo exigido no Brasil é de 11% para a maioria das instituições e 13% para bancos cooperativos. Um índice considerado confortável está acima de 15%. Um Índice de Basileia de 11% significa que, para cada R$ 100 emprestados, a instituição possui R$ 11 de recursos próprios. Quanto maior o índice, maior a capacidade do banco de absorver perdas.
Verifique a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
Para investidores, é fundamental confirmar se o banco é coberto pelo FGC. O fundo garante até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou Jurídica (CNPJ), com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. São cobertos pelo FGC:
- Depósitos à vista e a prazo;
- CDBs, RDBs e LCIs/LCAs;
- Poupança;
- Crédito imobiliário e rural.
Recursos como ações, fundos de investimento, derivativos e previdência privada não são cobertos pelo FGC. Correntistas e investidores perderão esses valores caso a instituição seja liquidada.
Desconfie de rentabilidade fora do padrão
Promessas de rentabilidade muito acima do mercado, sem justificativa clara, podem ser um sinal de alerta. Bancos saudáveis operam dentro de parâmetros de mercado estabelecidos.
Fique atento aos sinais de alerta
Embora não seja possível prever com exatidão a liquidação de um banco, alguns indícios podem ajudar a identificar problemas:
- Dificuldade em realizar saques ou transferências;
- Aumento repentino nas taxas de juros de aplicações;
- Notícias sobre investigações ou processos contra a instituição;
- Queda brusca no valor das ações (para bancos de capital aberto).
Um exemplo recente é o caso do Will Bank, que teve seu Índice de Basileia negativo em 5,3% e o Índice de Imobilização negativo em 1,9% em junho de 2024, mesmo apresentando lucro líquido elevado.
Compare com investimentos mais seguros
Para reduzir riscos, especialistas recomendam comparar a saúde financeira do seu banco com a de instituições que oferecem maior segurança e solidez no mercado.
Com informações da Agência Brasil







