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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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Governo investe R$ 17 milhões para formar 760 enfermeiros obstetras e fortalecer o SUS

O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 17 milhões para a formação de 760 novos enfermeiros obstetras. A iniciativa, parte da Rede Alyne, tem como objetivo reforçar a atenção obstétrica e neonatal no Sistema Único de Saúde (SUS), suprindo a lacuna de especialistas no país, que conta atualmente com apenas 13 mil profissionais registrados no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

A especialização, iniciada em novembro de 2025, é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 instituições e apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo). Profissionais com pelo menos um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS são elegíveis para o curso.

Enfermeiros obstetras: essenciais para a humanização do parto

O enfermeiro obstétrico é o profissional capacitado para acompanhar a mulher durante toda a gestação, o parto e o pós-parto, com foco em proporcionar um atendimento humanizado e seguro. Sua atuação inclui a realização de exames, assistência durante o parto natural ou vaginal, cuidados ao recém-nascido e colaboração com a equipe médica.

Segundo Renné Costa, conselheiro do Cofen, a carência de enfermeiros obstetras no Brasil é um problema grave, especialmente quando comparado a países com modelos de atenção à saúde baseados nessa especialidade. Ele destaca que a presença desses profissionais no SUS pode reduzir o número de intervenções desnecessárias e iatrogenias, contribuindo para a diminuição de cesáreas e seus riscos associados, que colocam o Brasil na contramão das recomendações científicas e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desafios culturais e a importância da informação

Renné Costa aponta que uma questão cultural ainda dificulta a valorização do parto natural no Brasil. Ele lamenta que o parto seja frequentemente retratado na mídia como um evento de sofrimento e que o parto natural ainda seja estigmatizado como uma opção de menor qualidade. A falta de informação sobre os benefícios do parto fisiológico e a não adoção de práticas como a não violência obstétrica, que visa evitar procedimentos desnecessários, são pontos de atenção.

A Rede Alyne, lançada em setembro de 2024, busca reestruturar a assistência materno-infantil com o objetivo de reduzir a mortalidade materna, especialmente entre mulheres negras. A iniciativa homenageia Alyne Pimentel, vítima de negligência médica durante a gestação, reafirmando o compromisso do governo com a equidade em saúde e os direitos das mulheres.

Impacto positivo e experiência prática

A experiência de Renné Costa como enfermeiro obstetra, formado pela Rede Cegonha (precursora da Rede Alyne), exemplifica o impacto positivo da especialização. Em Viçosa, Alagoas, após sua atuação, o número de partos no hospital municipal saltou de cerca de 90 para mais de 500 anualmente, permitindo que as mulheres da região tivessem acesso a um atendimento seguro e próximo de suas casas.

A médica Margareth Portella, coordenadora materno infantil da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), corrobora a importância dos enfermeiros obstetras, especialmente em partos de risco habitual. Ela ressalta, no entanto, a necessidade de experiência prática, alertando que cursos à distância podem não fornecer a vivência necessária para lidar com as complexidades do parto.

A empresária Valéria Monteiro, 28 anos, relata sua experiência positiva com o acompanhamento de uma enfermeira obstetra em seu terceiro parto. Segundo ela, o suporte especializado lhe deu a confiança necessária para optar pelo parto normal e vivenciar o processo de forma tranquila e segura.

Com informações da Agência Brasil

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