
A Mostra de Cinema de Tiradentes celebrou a sétima arte com a exibição de “Pequenas Criaturas”, filme que transporta o público para a Brasília dos anos 1980, explorando as complexidades de uma família sob o olhar infantil e a ausência das redes sociais. Após a sessão na praça, os jovens atores Theo Medon e Lorenzo Mello, que dão vida aos irmãos André e Dudu, compartilharam suas vivências no set e a importância da experiência cinematográfica.
O longa, dirigido por Anne Pinheiro Guimarães e já premiado no Festival do Rio, acompanha a chegada de uma mãe e seus dois filhos à capital federal, em um drama familiar que se destaca pela direção de arte e pela atmosfera nostálgica. O elenco conta ainda com Carolina Dieckmann e Letícia Sabatella, que também esteve presente no evento.
O cinema como plataforma de cultura e expressão
Theo Medon, conhecido por seu papel em “As Aventuras de Poliana”, destacou como o cinema ampliou sua percepção sobre a atuação. Aos 16 anos, ele se vê mais como um ator do que como um influenciador digital, utilizando as redes sociais para divulgar seu trabalho e democratizar o acesso à cultura para sua geração.
“Eu não me considero um influencer, eu me considero um ator. As redes sociais são consequência do trabalho. Tento usá-las para divulgar o que faço e para espalhar cultura para a minha geração, porque muita gente não tem acesso a festivais, filmes e a esse universo”, afirmou Theo.
Ele descreve sua relação com a atuação como algo intrínseco à sua vida desde os seis anos, enfatizando a importância do suporte familiar para lidar com as pressões do mercado. A imersão nos anos 1980 em “Pequenas Criaturas” foi um dos pontos altos para o jovem ator.
“Foi uma imersão total. A direção de arte é um dos pontos altos do filme. Tudo era de verdade, das fitas do quarto do André ao figurino. Isso te transporta para aquele tempo”, contou Theo, que também ressaltou como a ausência de celulares na época moldava a interação juvenil.
Theo também celebra o momento atual do cinema brasileiro, com crescente visibilidade internacional.
“O Brasil está vivendo um momento bonito, com o cinema sendo visto lá fora, com o Oscar, com nossos artistas ganhando projeção. Ir para Gotemburgo agora é levar a nossa Brasília, o nosso idioma, a nossa ginga. E mostrar que o cinema também é lugar para os jovens.”
A magia da tela grande para um jovem ator
Para Lorenzo Mello, de 9 anos, a exibição de “Pequenas Criaturas” na praça de Tiradentes representou sua estreia em uma sessão de cinema. O ator mirim expressou a emoção de se ver em uma tela gigante.
“Foi muito emocionante me ver naquela tela gigante. Eu nunca imaginei que estaria ali”, disse Lorenzo, que após a experiência passou a observar as produções com um olhar mais atento aos bastidores.
Mães celebram o caminho e os desafios no audiovisual
As mães dos atores acompanharam de perto a experiência em Tiradentes, compartilhando as alegrias e os desafios de ver seus filhos trilhando o caminho no audiovisual. Rachel Wanderley, mãe de Lorenzo, comentou sobre a novidade para a família.
“Nunca imaginei chegar onde estamos chegando. Não temos ninguém na família ligado à área e tudo isso é muito novo”, afirmou Rachel, que também destacou a importância das conversas em casa sobre o conteúdo do filme.
Simone Fernandes, mãe e empresária de Theo, apontou a necessidade de um olhar mais estruturado para o talento infantojuvenil no mercado brasileiro.
“Quando o Theo começou, tudo era novo para a gente. Percebi que não havia um olhar estruturado para os jovens talentos. Trabalhar com criança exige responsabilidade, e isso assusta, mas o retorno artístico é enorme”, disse Simone.
Ambas as mães ressaltaram o valor das sessões gratuitas e em espaços públicos, como a da Mostra de Tiradentes, para a formação de público e a aproximação do cinema com a sociedade.
“Ver o filme numa praça, com a família inteira, é muito simbólico. O cinema fica mais próximo, menos distante. As pessoas passam a se enxergar ali, seja na frente ou atrás das câmeras.”, concluiu Simone.
“Pequenas Criaturas” segue para sua estreia internacional no Festival de Cinema de Gotemburgo, na Suécia, onde concorre ao Prêmio Ingmar Bergman, levando consigo a memória afetiva de uma infância sem tecnologia e o debate sobre o futuro dos jovens no cinema brasileiro.
Com informações da Agência Brasil / Foto: Leo Fontes/Universo Produções







