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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
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Parque Nacional da Tijuca celebra retorno das araras-canindés com projeto de reintrodução

O Parque Nacional da Tijuca, um dos maiores parques urbanos do mundo, tornou-se palco de um marco importante para a conservação da biodiversidade no Rio de Janeiro com a primeira soltura de araras-canindés em seu habitat. A ação faz parte do projeto Refauna, que busca reintroduzir espécies extintas ou ameaçadas na Mata Atlântica, contribuindo para a restauração ecológica.

A iniciativa não apenas fortalece a presença de espécies nativas, mas também reforça a importância da conservação e da educação ambiental. A chegada das araras-canindés demonstra a capacidade do parque em abrigar vida selvagem e a relevância do trabalho contínuo do Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio) na manutenção do ecossistema.

Ciência Cidadã e Tecnologia no Monitoramento

O sucesso do projeto de reintrodução das araras-canindés também se deve à colaboração da população. O programa Ciência Cidadã tem incentivado os visitantes e moradores do entorno a reportarem avistamentos das aves, auxiliando no monitoramento de sua adaptação. Ferramentas como o aplicativo SISS-Geo, desenvolvido pela Fiocruz, permitem que qualquer pessoa registre a fauna silvestre, enviando fotos e informações valiosas sobre a localização dos indivíduos monitorados.

Viviane Lasmar, chefe do Parque Nacional da Tijuca, destaca a importância da educação ambiental para garantir a coexistência harmoniosa entre humanos e a vida selvagem. “As pessoas têm se aproximado cada vez mais. Essa é uma boa hora mesmo para ver se a gente consegue contribuir um pouco para diminuir a ignorância ambiental”, afirmou.

Educação e Infraestrutura para a Fauna

Para assegurar que os encontros com os animais sejam positivos, o Refauna está desenvolvendo cursos de formação para guias de turismo que atuam no parque. O objetivo é capacitá-los para orientar os visitantes sobre a conduta correta ao se depararem com animais silvestres, como não alimentar ou interagir de forma inadequada.

O Parque Nacional da Tijuca também oferece suporte logístico e de infraestrutura, incluindo a construção de viveiros para os ninhos das araras, antecipando a possibilidade de reprodução futura. Técnicos e monitores ambientais do parque auxiliam no transporte e em qualquer outra necessidade para o bem-estar das aves.

Meta de Repovoamento e Importância Regional

A meta do Refauna é soltar 50 araras-canindés ao longo de cinco anos, dez indivíduos por ano. Lara Renzeti, do projeto, explica que o número de solturas visa aumentar as chances de estabelecimento e reprodução da espécie, já que a reintrodução não é uma ciência exata. Embora a arara-canindé não esteja globalmente ameaçada, ela está extinta no estado do Rio de Janeiro, onde há registros históricos de sua presença na Mata Atlântica desde o século XVI.

Restauração Ecológica e o Papel da Fauna

Desde 2010, o Refauna já reintroduziu outras espécies no Parque Nacional da Tijuca e em outras unidades de conservação do estado, como cutias, jabutis e bugios. A perda de fauna, conhecida como defaunação, representa um desafio global para a conservação, pois compromete a capacidade de regeneração das florestas. Cerca de 90% das plantas da Mata Atlântica dependem de animais para a dispersão de suas sementes.

A Mata Atlântica é um bioma particularmente vulnerável, com 43% da fauna ameaçada de extinção no Brasil sendo exclusiva dessa região. O Refauna ressalta que a extinção de uma espécie desencadeia um efeito cascata, desfazendo todo um ciclo de vida e afetando o equilíbrio do ecossistema.

Com informações da Agência Brasil / Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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