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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
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Primeiro Festival de Teatro Trans e Travesti do Brasil estreia em São Paulo com debates e performances

A cidade de São Paulo sedia, a partir desta terça-feira (27) e até sábado (31), o 1º Festival de Teatro Trans e Travesti do Brasil. O evento, que acontece na SP Escola de Teatro, localizada na Praça Roosevelt, visa dar visibilidade e valorizar a produção artística de pessoas transexuais e travestis, em consonância com a semana da visibilidade trans.

A programação conta com espetáculos, performances e rodas de conversa, todos gratuitos, sempre a partir das 19h. A iniciativa reúne nomes consagrados como Renata Carvalho, Clodd Dias, Renata Perón e Luh Maza, além de promover o debate sobre a vivência e a potência desses artistas na cena teatral.

Potência e Resistência no Palco

A direção artística do festival, a cargo da atriz e autora Luh Maza, tem como objetivo apresentar ao grande público a força e a qualidade do trabalho desenvolvido por artistas trans e travestis. Maza destaca que o FestivaTrans é um projeto voltado para o reconhecimento e fomento dessas pesquisas teatrais contínuas e sérias.

“Eu vejo o FestivaTrans como um projeto voltado para o reconhecimento, a valorização, o fomento e o aplauso de artistas trans e travestis, que têm feito uma pesquisa continuada no teatro, de forma séria. O nosso desejo é que o grande público, seja heterossexual ou não, possa assistir a essas obras”, declarou a diretora.

Paola Valentina Xavier, cantora, apresentadora, roteirista e produtora cultural executiva, ressalta o caráter político do festival. Para ela, o evento transcende o âmbito teatral, configurando-se como um ato de resistência e renascimento. “Um festival como o FestivaTrans não é apenas um evento de teatro, é um gesto de resistência e renascimento. Cada cena, cada corpo em palco, carrega séculos de silenciamento e transforma dor em arte, exclusão em presença, ausência em memória viva. As mulheres trans e travestis que fazem arte escrevem com o próprio corpo uma nova dramaturgia do mundo: aquela em que existir é, por si só, um ato poético e político”, argumenta Paola.

Diversidade de Formatos e Diálogo

O festival integra a programação do 14º SP Transvisão, iniciativa que promove ações educativas voltadas para a prevenção e o enfrentamento da LGBTFobia.

Entre as atrações, destaca-se a performance “Transpreto”, de Luh Maza. A obra mescla auto-ficção, música e debate, buscando criar um estado de transe no público. Na performance, Maza dialoga diretamente com a plateia, compartilhando suas experiências como mulher trans e preta, e provocando reflexões sobre questões sociais e identitárias.

A experiência sonora é enriquecida pela participação do DJ King de Shango, homem transmasculino que pesquisa sons afro-diaspóricos. Luh Maza explica que, em um contexto de rápidas interações digitais, momentos de pausa para conversa e reflexão são essenciais.

“Em meio a esse processo de dopamina rápida com as redes sociais, com tanta falta de atenção, eu acho que esse momento de parar uma hora para conversar, para pensar, para refletir, para construir algo juntos, é um transe. Conseguir essa concentração, é entrar em um estado de transe”, pontua a atriz.

A 1ª edição do FestivaTrans ocorre na unidade Roosevelt da SP Escola de Teatro, situada na Praça Roosevelt, 210. Os ingressos para as atividades podem ser adquiridos pelo site Sympla.

Com informações da Agência Brasil

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