
O número de casos de câncer de pele diagnosticados no Brasil apresentou um crescimento alarmante, saltando de aproximadamente 4 mil para mais de 72 mil em apenas dez anos. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), essa disparada, que representa um aumento de cerca de 1.700%, tornou-se mais expressiva a partir de 2018, impulsionada por mudanças na exigência de preenchimento de dados em exames.
A dificuldade de acesso a consultas dermatológicas no Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos principais fatores que contribuem para o diagnóstico tardio da doença. Dados da SBD revelam que usuários do SUS enfrentam uma barreira 2,6 vezes maior para agendar uma avaliação especializada em comparação com pacientes da saúde privada. Essa desigualdade no acesso pode influenciar diretamente a evolução da doença, especialmente em casos de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.
Diagnóstico Precoce e Desafios no SUS
Para a SBD, a ampliação do diagnóstico precoce do câncer de pele é fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos complexos. No entanto, a rede pública de saúde ainda enfrenta desafios para oferecer um número suficiente de consultas dermatológicas.
Embora o volume de consultas dermatológicas no SUS tenha retornado ao patamar pré-pandemia, após uma queda acentuada em 2020, a oferta na saúde suplementar permanece significativamente maior. O número de atendimentos no setor privado se manteve duas a três vezes superior ao SUS, ultrapassando a marca de 10 milhões de consultas anualmente.
Desigualdade Regional e Complexidade do Tratamento
A desigualdade de acesso a dermatologistas se reflete na complexidade dos tratamentos. Quando o diagnóstico não é feito em estágio inicial, os pacientes frequentemente necessitam de procedimentos mais invasivos e prolongados.
Municípios do interior do país sofrem com a falta de centros de referência em oncologia, obrigando pacientes a percorrerem longas distâncias para acessar Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Estados como Acre, Amazonas e Amapá possuem apenas uma Unacon cada, sem Cacons, o que contribui para que pacientes dessas regiões recebam o diagnóstico em estágios mais avançados da doença.
O tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento também varia drasticamente. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste a terapêutica é iniciada em até 30 dias na maioria dos casos, no Norte e Nordeste a espera frequentemente ultrapassa 60 dias, aumentando o risco de agravamento do quadro.
Propostas para Ampliar a Prevenção e o Acesso
Diante desse cenário, a SBD defende a adoção de medidas urgentes, como a garantia do acesso ao protetor solar, a ampliação das ações de prevenção e a melhoria do diagnóstico precoce. A entidade busca sensibilizar parlamentares para incluir o filtro solar na lista de itens essenciais na Reforma Tributária, visando reduzir custos e ampliar o acesso da população ao produto.
Os dados sobre o câncer de pele no Brasil foram encaminhados a deputados e senadores, com o objetivo de contribuir para a regulamentação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer.
Com informações da Agência Brasil







