
O carnaval do Rio de Janeiro se consolida como um palco vibrante de celebração, diversidade e engajamento social, com blocos LGBTQIA+ liderando a vanguarda da inclusão e da pluralidade. Em 2026, a folia promete ainda mais alegria e ações voltadas para a justiça social, a conscientização ambiental e o respeito a todas as identidades de gênero.
O Carnabendita, um ecossistema que congrega 13 blocos de rua, apresenta para 2026 novidades no Divinas Tretas, bloco que evoluiu do histórico Toco-Xona, o pioneiro LGBTQIA+ carioca fundado em 2007. A reconfiguração em 2022 ampliou o escopo para abraçar a diversidade em sua totalidade, solidificando-se como um coletivo pós-pandemia. Com um repertório que mescla pop, rock, axé e ritmos brasileiros, o Divinas Tretas se afirma como um símbolo de pluralidade musical e qualidade no carnaval de rua.
Divinas Tretas Avança em Ações Sociais
O desfile do Divinas Tretas, agendado para 15 de fevereiro na Praia do Flamengo, trará uma iniciativa pioneira de requalificação e retificação de prenome e gênero para pessoas trans e não-binárias em situação de vulnerabilidade. Natália Guimarães, diretora do Carnabendita, ressalta que o objetivo é aprofundar o debate sobre diversidade e cidadania.
“Como o Divinas Tretas é hoje o nosso principal pilar LGBTQIA+, decidimos concentrar esses esforços no bloco para garantir que o carnaval seja, além de festa, um instrumento de justiça social”, explicou Natália. O bloco contará com espaço reservado, segurança, equipe de apoio e intérprete de libras, além de sanitários inclusivos e articulação com a Riotur para padronizar banheiros públicos. Campanhas de combate à violência contra a mulher e distribuição de preservativos também farão parte da programação. A contratação prioritária de profissionais LGBTQIA+, trans e não-binários reforça o compromisso com a representatividade.
Enxota Que Eu Vou Celebra 15 Anos de Pluralidade
O bloco Enxota Que Eu Vou, que comemora 15 anos em 2026, se define como um espaço aberto a todos os gêneros, embora tenha forte ligação com a causa LGBTQIA+. Fundado em 2010 por amigos universitários da UFRJ, o bloco se notabilizou por apresentar sambas-enredo clássicos. A presidente da agremiação, Camila Mendes, destaca a importância do respeito e da diversidade.
“Nós não somos um bloco exclusivo LGBTQIA+. A gente se considera um bloco de todos, diverso e aberto a todos os gêneros. Nós nos consideramos amigos das pessoas que lutam pelas causas LGBTQIA+ e, inclusive, defendemos que o carnaval seja plural, diverso, com respeito”, afirmou Camila. A Bateria Penetrante conta com integrantes LGBTQIA+, e a rainha do bloco é a drag queen WQueer. A festa de aniversário ocorrerá na Praça Tiradentes, com concentração às 13h e desfile a partir das 15h no dia 17 de fevereiro.
Banda das Quengas Completa 35 Anos de História
Uma das mais antigas bandas carnavalescas LGBTQIA+ do Rio, a Banda das Quengas celebra 35 anos em 2026, com a festa principal marcada para terça-feira, 17 de fevereiro, na Lapa. A concentração será às 15h na esquina da Rua Washington Luiz com Avenida Mem de Sá. O vice-presidente, Tbengston Martins, descreve a banda como “imprevisível” e um ponto de encontro familiar para a diversidade.
“Nossa banda é imprevisível. Ela pega multidões. É a banda LGBT da diversidade que atrai não só os que estão com a gente, mas os afins também. É uma banda família em que todo mundo vai para se divertir”, disse Tbengston. O som começa às 16h e vai até as 22h. O tema deste ano, “Aceitem ou nos respeitem”, reflete a busca contínua por aceitação e respeito.
Sereias da Guanabara Foca em Sustentabilidade e Acessibilidade
O bloco Sereias da Guanabara, que celebra seu nono aniversário, desfila no dia 17 de fevereiro, com concentração às 14h no Aterro do Flamengo. O bloco tem como pilares a sustentabilidade, acessibilidade e diversidade, com um forte apelo à fauna marinha em suas fantasias e no discurso ambiental. Recebeu o Selo Verde de sustentabilidade no ano passado.
Um dos fundadores, Leo Solez, explica a importância simbólica do local: “Para a gente fazer o bloco no Aterro do Flamengo é muito simbólico porque a Praia do Flamengo foi despoluída e está sendo agora muito usada pelos cariocas. Essa sempre foi uma pauta nossa durante o bloco, procurar falar sobre conscientização das pessoas em relação ao lixo”. O bloco também abraça a pluralidade, acolhendo pessoas de todos os gêneros e orientações sexuais, com foco em acessibilidade.
Com informações da Agência Brasil







