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Legado da Vacina COVID-19 para o SUS: Fiocruz Pronto para Novas Pandemias e Terapias Inovadoras

A rápida produção de vacinas contra a Covid-19, que permitiu a imunização global em tempo recorde, não foi um feito isolado, mas sim o resultado de um vasto acúmulo científico e de plataformas tecnológicas já estabelecidas. A diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, destaca que as vacinas, mesmo as de RNA e vetor viral, eram baseadas em pesquisas preexistentes, que apenas necessitaram de adaptação. Essa mobilização global, segundo ela, demonstrou a força da ciência e deixou um legado valioso para o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.

Da Pandemia à Preparação: A Trajetória da Fiocruz

O início da pandemia, em março de 2020, marcou o ponto de partida para a atuação intensificada da Fiocruz. Paralelamente à produção de testes diagnósticos, um grupo de trabalho dedicou-se à prospecção de vacinas em desenvolvimento, com o objetivo de firmar um contrato de transferência de tecnologia. As negociações com a Universidade de Oxford e a Astrazeneca culminaram na chegada das primeiras doses prontas ao Brasil em janeiro de 2021. A partir de fevereiro, o instituto passou a realizar o envase, rotulagem e controle de qualidade, e em fevereiro de 2022, a população brasileira recebia a vacina 100% nacional, com a produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) em solo brasileiro.

Capacidade Industrial e Expertise Fortalecidas

Rosane Cuber ressalta que a capacidade instalada e a vasta experiência da Fiocruz em transferência de tecnologia foram cruciais para o sucesso. A paralisação de outras atividades e a dedicação exclusiva ao projeto, somadas ao apoio da sociedade civil, permitiram superar desafios jurídicos e técnicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanhou de perto todo o processo, garantindo a segurança do imunizante. O instituto, que já possuía experiência na nacionalização de outras vacinas, viu sua capacidade industrial e conhecimento técnico serem ainda mais aprimorados.

Um Legado para o Futuro do SUS

Embora a produção da vacina contra a Covid-19 tenha sido interrompida com o fim da pandemia, o legado para o SUS é imensurável. A experiência e a estrutura fabril aprimoradas pela Fiocruz agora viabilizam o desenvolvimento de terapias avançadas, como um tratamento para a Atrofia Muscular Espinhal (AME), que utiliza a mesma plataforma de vetor viral da vacina de Oxford. A expectativa é de uma redução significativa nos custos para o SUS, tornando tratamentos antes inacessíveis mais disponíveis.

Novas Fronteiras em Pesquisa e Desenvolvimento

Além disso, a Fiocruz iniciará testes em humanos de uma vacina contra a Covid-19 baseada na tecnologia de RNA mensageiro, a mesma utilizada pela Pfizer. Essa plataforma, já estudada pelo instituto para o tratamento do câncer, teve seus horizontes de pesquisa expandidos pela pandemia. A produção nacional de vacinas, segundo Rosane Cuber, garante soberania e reduz custos, mesmo que o vírus continue a circular em surtos. O desempenho da Fiocruz durante a pandemia também elevou sua projeção global, sendo escolhida como centro de produção pela Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias e como hub regional da OMS para o desenvolvimento de produtos com RNA mensageiro. O foco da instituição, ressalta a diretora, não é o lucro, mas sim o benefício para a sociedade brasileira.

Com informações da Agência Brasil

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