
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que o principal fator por trás da elevada dívida pública brasileira não é o déficit nas contas do governo, mas sim o patamar elevado dos juros reais. Em entrevista ao programa UOL News, Haddad destacou que o déficit primário foi reduzido em 70% nos últimos dois anos e que a meta para este ano é ainda mais ambiciosa.
Déficit em controle, juros no centro do debate
Segundo o ministro, mesmo considerando despesas extraordinárias, como o ressarcimento de descontos indevidos do INSS, o déficit do ano passado ficou em 0,48% do PIB. Ele contrapôs esse número com a projeção para o governo anterior, que seria superior a 1,6% do PIB. “O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”, pontuou Haddad.
Na mesma entrevista, o ministro defendeu a possibilidade de redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%. “Óbvio que, quando me perguntam [sobre esse tema], eu falo que tem espaço para cortar [os juros] porque eu acho que tem”, declarou.
Elogios ao Banco Central e ampliação regulatória
Haddad também elogiou a gestão de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, especialmente em relação à condução de problemas como o escândalo do Banco Master. “Ele herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual, o Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade”, disse.
O ministro aproveitou para defender a ampliação do perímetro regulatório do Banco Central, sugerindo que a fiscalização de fundos de investimento deveria ser transferida da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o BC. Ele argumenta que há uma grande intersecção entre fundos e o sistema financeiro, com impactos na contabilidade pública.
‘Taxad’ e economia nas eleições
Questionado sobre o apelido “Taxad”, dado nas redes sociais devido ao aumento de tributos, Haddad mostrou-se indiferente, afirmando que se orgulha de ser lembrado como o ministro que “taxou offshore, que taxou fundo familiar fechado, que taxou paraíso fiscal e que taxou dividendo”. Ele ressaltou que medidas como a taxação de bancos, apostas e bilionários saíram do papel.
Sobre o cenário eleitoral, Haddad acredita que a economia não será o fator decisivo para as próximas eleições presidenciais, nem no Brasil, nem no mundo. Ele aponta que temas como segurança pública e combate à corrupção têm se sobressaído nas pesquisas de opinião como maiores preocupações da população. O ministro também reiterou que não pretende se candidatar a nenhum cargo público nas próximas eleições.
Com informações da Agência Brasil







