Salário Mínimo Completa 90 Anos: Sindicatos Celebram Conquista e Exigem Valorização Contínua

Nesta quarta-feira (14), o salário mínimo, criado em 1936 por Getúlio Vargas, completa nove décadas de existência. A data é marcada pela celebração das centrais sindicais, que, ao mesmo tempo, ressaltam a necessidade de aprimorar os mecanismos de reajuste para o futuro.

Piso Salarial Essencial para Distribuição de Renda e Proteção Social

João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, enfatiza o papel crucial do salário mínimo. “Ele baliza primeiro aquelas categorias sem piso salarial e, em segundo, os aposentados e pensionistas. Ele acaba sendo um importante instrumento de distribuição de renda em nosso país”, afirma Juruna. Ele recorda que as lutas sindicais foram fundamentais para que o reajuste do salário mínimo se tornasse um instrumento de distribuição de renda, garantindo aumentos reais que, segundo ele, foram interrompidos nos governos Temer e Bolsonaro, limitando-se apenas à reposição pelo INPC. A política de aumento real foi retomada no governo Lula, embora com percentuais menores, o que ainda é considerado importante.

Defesa de Política de Estado para Recuperação Acelerada

Ariovaldo de Camargo, secretário de Administração e Finanças da CUT, descreve o salário mínimo como um “colchão” e um referencial importante para os trabalhadores ativos, mas considera-o “aquém do necessário”. Camargo defende uma política de recuperação “mais acelerada” e que o reajuste real se transforme em uma política de Estado, e não apenas de governo. Ele avalia que, após 2016, houve uma descontinuidade na política de valorização, com períodos de reajustes abaixo da inflação. “É preciso criar um mecanismo que seja permanente, que não seja política de governo, mas de Estado, para que possamos ter uma recuperação do salário mínimo de forma perene”, defende.

Garantia Fundamental e Poder de Compra

Ronaldo Leite, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), celebra o salário mínimo como uma “garantia fundamental para os trabalhadores”. Ele ressalta que o piso constitucional assegura minimamente o poder de compra da classe trabalhadora. Leite reconhece o retorno da política de valorização com o governo Lula, permitindo reajustes acima da inflação, mas aponta para a desvalorização acumulada ao longo dos anos. Segundo cálculos do Dieese, o valor ideal do salário mínimo atualmente seria de R$ 7.106,83. A CTB advoga pela manutenção e ampliação dessa política para melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Juruna, da Força Sindical, complementa que é necessário “fortalecer as campanhas salariais, puxando pisos e ajudando a aumentar o consumo interno e a aumentar o PIB”.

Com informações da Agência Brasil