32 C
Manaus
quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Fóssil de peixe pré-histórico de 254 milhões de anos é encontrado em Mato Grosso

Um estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) apresentou uma nova espécie de peixe pré-histórico, o Leolepis, que viveu há aproximadamente 254 milhões de anos. O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, está excepcionalmente preservado, oferecendo uma rara oportunidade de conhecer a vida no continente sul-americano antes de uma das maiores transformações da história da Terra.

Um achado raro e significativo

O Leolepis pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios), o mesmo que engloba cerca de 96% das espécies de peixes vertebrados atuais. Com cerca de 15 centímetros de comprimento, o animal possuía um corpo protegido por escamas resistentes, compostas por dentina e esmalte, materiais idênticos aos encontrados nos dentes humanos.

O grau de preservação do fóssil é notável. Diferente da maioria dos peixes dessa idade encontrados no Brasil, que são conhecidos apenas por dentes ou fragmentos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso, e um achado raro em escala mundial.

Contexto geológico e ecológico

O peixe viveu durante o Permiano Superior, em um vasto sistema aquático continental que se formou a partir de um antigo mar interior, quando a América do Sul e a África ainda formavam o supercontinente Gondwana. Pesquisadores estimam que, pelo tamanho de seus dentes, o Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.

Este fóssil é crucial para a reconstrução de um ecossistema que existia pouco antes da extinção Permo-Triássica, ocorrida há cerca de 252 milhões de anos. Este evento foi o maior episódio de extinção em massa conhecido, dizimando cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas.

Coincidências e importância científica

A descoberta se torna ainda mais intrigante por sua proximidade com a cratera de impacto de Araguainha, a cerca de 50 quilômetros do local do achado. A cratera é considerada a maior e mais bem preservada estrutura de impacto na América do Sul.

A importância científica do achado também reside no fato de que o registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul é considerado pouco conhecido. Valéria Gallo, pesquisadora da Uerj envolvida na descrição do fóssil, destaca que a preservação excepcional do exemplar pode auxiliar no reconhecimento da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e no estabelecimento de novas correlações entre formações geológicas.

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e está depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

Com informações da Agência Brasil