
A engenharia social se consolidou como o principal vetor de fraudes financeiras no Brasil, respondendo por impressionantes 40% dos golpes. Essa modalidade ataca diretamente a decisão humana, diferentemente das fraudes tradicionais que visam sistemas e documentos. José Oliveira, diretor de Tecnologia da Certta, empresa de verificação inteligente, destaca que a inteligência artificial antifraude, embora avançada, não foi projetada para combater essa camada específica de vulnerabilidade.
Vulnerabilidade humana em foco
Oliveira explica que a engenharia social explora a psicologia do indivícies, enquanto a fraude convencional foca em falhas de sistemas ou na falsificação de identidades. “A IA antifraude não foi desenhada para combater engenharia social, ela foi desenhada para combater fraude. São camadas diferentes de um mesmo problema, onde engenharia social ataca a decisão humana, a fraude ataca o sistema, o documento, a identidade”, afirma.
Jovens e de baixa renda são os mais atingidos
Um levantamento recente da Quod revela que jovens entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas de fraudes. Além disso, pessoas que recebem até dois salários mínimos compõem 58% dos atingidos. No primeiro semestre, 3,1 milhões de pessoas foram vítimas, com 799 mil sofrendo golpes múltiplas vezes.
Prevenção é a chave
Apesar dos investimentos em tecnologias como IA e biometria comportamental, o crescimento dos golpes por engenharia social é uma realidade. Para José Oliveira, a prevenção deve ocorrer antes que o prejuízo se concretize. “Para as instituições, a lógica precisa ser exatamente a inversa, ou seja, usar tecnologia para reconhecer sinais, antecipar riscos e adaptar a proteção antes que a vulnerabilidade se transforme em prejuízo”, adverte.
Debate público e conscientização
Um levantamento da Certta e da Nexus aponta que apenas 11% das menções sobre golpes e fraudes digitais nas redes sociais tratam de prevenção. “O debate público é dominado por denúncias e buscas por socorro depois que o prejuízo já aconteceu e o brasileiro ainda confunde segurança cibernética com proteção antifraude”, observa Oliveira.
Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, reforça a importância da conscientização do consumidor. “Para o consumidor, a melhor defesa é aliar tecnologia a um comportamento preventivo. Como quase 78% das fraudes ocorrem via aparelho celular e a engenharia social é o principal motivo dos golpes, a regra é desconfiar do senso de urgência”, diz.
Dicas para evitar golpes
Coelho aconselha a não tomar decisões financeiras apressadas, especialmente durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores se aproveitam da distração. É fundamental não clicar em links suspeitos recebidos por mensagens e jamais emprestar contas bancárias para terceiros, pois isso pode configurar cumplicidade no esquema de “contas laranja”.
Com informações da Agência Brasil








