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quinta-feira, 16 de abril de 2026
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IA acelera desinformação e ameaça democracias em escala global, alerta pesquisa da Agência Lupa

Ferramentas de inteligência artificial (IA) estão elevando a necessidade de desconfiança em conteúdos digitais a um nível sem precedentes, conforme alertam profissionais de checagem de informação. Um novo levantamento da Agência Lupa, intitulado “O impacto da IA no Fact-checking Global”, analisou 1.294 checagens profissionais em dez idiomas e revelou um cenário preocupante.

Aumento exponencial da desinformação gerada por IA

Os resultados do estudo indicam que 81,2% dos casos de desinformação que utilizam tecnologias de inteligência artificial surgiram apenas nos últimos dois anos, abrangendo o período de janeiro de 2024 a março de 2026. Assuntos como eleições, guerras e golpes foram os temas mais recorrentes nesse contexto.

Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação da Agência Lupa, destaca que a IA está redefinindo a desinformação globalmente. “A imensa maioria das peças que são analisadas pelos checadores acaba levando a etiqueta de falso ou de enganoso. A IA dificilmente tem sido feita para impulsionar conteúdos verdadeiros”, afirmou à Agência Brasil.

Ameaça às democracias em anos eleitorais

A desinformação impulsionada por IA não se limita a vídeos, abrangendo também áudios curtos, fotos e textos. A pesquisadora expressa preocupação com o uso dessas tecnologias durante períodos eleitorais em todo o mundo, considerando-as uma ameaça às democracias.

“Este é um ano eleitoral importante no Brasil e em outros parceiros da região”, comentou, citando eleições nos Estados Unidos, Peru, Costa Rica e Colômbia. Ela prevê que eleitores e checadores enfrentarão uma “enxurrada de conteúdos com IA e com grande chance de essas peças serem, na verdade, grandes falsidades”.

Educação midiática como principal defesa

O estudo aponta que o uso de IA para manipulação de conteúdo deixou de ser pontual e se tornou uma presença permanente no ambiente digital. O volume de checagens que identificaram esse tipo de mentira cresceu de 160 casos em 2023 para 578 em 2025, com 205 verificações até março deste ano.

Em termos linguísticos, o estudo flagrou 427 casos de desinformação por IA e deepfakes em inglês, 198 em espanhol e 111 em português. Tardáguila defende a educação midiática como a principal ferramenta para combater o problema.

“A gente precisa que a vacina contra a desinformação, que é, na verdade, a informação de qualidade, chegue antes para que as pessoas possam estar preparadas e resilientes quando elas virem a mentira em formato de IA”, ressalta.

Propostas para combater a desinformação

A pesquisadora sugere a implementação de políticas públicas focadas em educação midiática e literacia, especialmente nas escolas. Empresas de comunicação e agências de checagem também têm um papel crucial, desde que sigam critérios de transparência e rigor.

Tardáguila aconselha que os brasileiros se preparem para o aumento do uso de IA em 2026. Ela lembra que qualquer cidadão pode realizar checagens básicas e que a Agência Lupa oferece um curso gratuito para iniciantes.

Com informações da Agência Brasil