
A crescente discussão sobre a violência contra animais no Brasil, intensificada por casos como o espancamento de um cão comunitário em Florianópolis, evidencia a urgência de medidas educativas eficazes. Organizações não governamentais (ONGs) e órgãos públicos de São Paulo têm apostado na ‘educação humanitária em bem-estar animal’ como um caminho para cultivar empatia e respeito, prevenindo não apenas maus-tratos a animais, mas também outras formas de violência.
A diretora de relações institucionais da Ampara Animal, Rosângela Gerbara, ressalta a importância de sair de uma visão antropocêntrica e promover o contato gradual e gentil com os animais. “A educação é o caminho para transformar em melhor a vida dos animais, principalmente quando voltada a crianças e adolescentes”, afirma Gerbara. Ela defende que a interação com animais ensina sobre sentimentos, necessidades alheias e reduz comportamentos violentos e intolerantes.
Quebrando a ideia de objeto
Viviane Pancheri, voluntária da ONG Toca Segura, destaca a necessidade de as crianças perceberem os animais como seres sencientes, capazes de sentir medo, felicidade e dor. “É importante que as crianças tenham a percepção de que os animais sentem medo, abandono, felicidade, enfim, que são sencientes”, explica.
A Toca Segura desenvolve a ‘educação empática’ em escolas e em seu abrigo, promovendo a interação cuidadosa entre crianças e animais que já passaram por situações de violência. Eventos como os domingos de passeio auxiliam os animais a se acostumarem com a presença humana e desenvolvem a interação com as crianças. Um exemplo inspirador é o de uma menina que superou o medo de cachorros para se tornar veterinária após ajudar na ONG.
Responsabilidade e exemplo
Para crianças mais velhas e adolescentes, a questão da responsabilidade é central. A supervisão é fundamental para que aprendam a cuidar de forma adequada, seja com animais de estimação ou comunitários. Alimentar um animal de rua e receber elogios por essa boa ação, segundo Viviane, contribui para a formação de um ser humano melhor.
Programas públicos em São Paulo
A prefeitura de São Paulo, por meio de seu programa municipal de adoções, foca na promoção da guarda responsável e da educação ambiental. O centro de adoções recebe grupos escolares, onde mediadores facilitam o contato com os animais, conscientizando os pequenos que se tornam multiplicadores em seus lares.
O projeto “Superguardiões”, iniciado em 2019, já recebeu mais de 1.900 visitantes. Outra iniciativa, o programa “Leituras”, incentiva crianças em fase de alfabetização a lerem para cães e gatos do centro, estimulando a empatia e a escrita sobre os animais. Essas ações, segundo Telma Tavares, gestora do espaço, facilitam a adoção, tornam os animais mais dóceis e promovem práticas sustentáveis.
As estratégias de sensibilização e interação supervisionada são portas de entrada para combater a violência e construir uma sociedade mais empática e respeitosa com todas as formas de vida.
Com informações da assessoria







